Silêncio comprado de Cerveró manteve delação mentirosa de Delcídio contra Lula, diz MPF

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado inocente pelo procurador da República Ivan Cláudio Marx, no processo relacionado à suposta compra de silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Nas alegações finais, o Ministério Público Federal (MPF) considerou que não há provas de que Lula e o banqueiro André Esteves participaram de crimes no caso apurado.


Para os investigadores, Lula foi prejudicado propositalmente pelo ex-senador Delcídio do Amaral, na obstrução à Justiça, para que as acusações mirassem o ex-presidente, disfarçando o real interessado na compra de silêncio: Delcídio.

O MPF reconstituiu as provas dos autos e chegou à conclusão que o ex-senador teria sido o beneficiário da estratégia de repassar R$ 250 mil à Cerveró, para que ele não fechasse o acordo de delação premiada. Segundo Cláudio Marx, ao contrário do que narrou Delcídio em colaboração, o silêncio do ex-diretor da Petrobras não foi encomendado ou não interessava a Lula, mas ao ex-senador.

Por isso, o MPF pediu a condenação do ex-senador Delcídio do Amaral, do advogado Edson de Siqueira Ribeiro Filho e dos denunciados Maurício Barros Bumlai, José Costa Barros Bumlai e Diogo Ferreira Rodriguez.

Segundo os investigadores, o interesse de Delcídio era impedir a revelação do recebimento de R$ 4 milhões da UTC, pagamento de propina e usado em caixa dois em campanha do ex-parlamentar ao governo do estado do Mato Grosso. O advogado Edson Filho teria, assim, orientado seu cliente, Nestor Cerveró, a informar valores falsos destinados à campanha de Lula no ano de 2006, para prejudicar o então presidente.

“Delcídio estava agindo apenas em interesse próprio. E Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio”, afirmou o procurador da República.


O dinheiro para a compra do silêncio teria envolvido o pecuarista José Carlos Bumlai, por meio de seu filho, Maurício Bumlai, e que o ex-senador encaminhou o repasse de cinco parcelas de R$ 50 mil ao ex-diretor. Entretanto, ao contrário da informação de Delcídio de que o pagamento ocorreu a pedido de Lula, os procuradores entenderam que não.

José Carlos Bumlai e seu filho confessarem entregar R$ 100 mil a interlocutores de Delcídio, mas explicaram que se tratava de um “empréstimo” ao ex-parlamentar. Além disso, os procuradores comprovaram que Delcídio mentiu sobre o quinto pagamento, que não foi feito por Diogo Rodriguez, mas pelo próprio Delcídio.

Por isso, o MPF pede a condenação da família Bumlai, por entender que eles sabiam que as remessas de três das parcelas foram usadas para comprar o silêncio de Cerveró. A delação do ex-diretor da Petrobras foi considerada crucial pelos investigadores para agregar nas acusações contra Delcídio.


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